
Hoje tenho uma grande necessidade de exteriorizar tudo o que senti e o que vi durante a tua passagem naquele lugar. Odiei todas as palavras que soletras-te, odiei cada gesto que fazias, odiei cada sorriso carregado de manias que desconheço. Odiei cada mentira que fizeste questão de inventar perante as pessoas que ali se encontravam. A tua presença durou uma dezena de minutos, mas deixou tantas questões e tantas dúvidas para o resto das horas daquele dia. Senhora de si mesma, muito arrogante e convicta no que dizia, lá seguiu o seu caminho e lá foi a sua vidinha pouco significante. Incomodada com o que sucedeu, resolvi retirar-me, pedindo desculpas as pessoas que ali estavam! Resolvi ir almoçar para um shopping, onde estaria a transbordar de pessoas anónimas. Irritada, chateada, aborrecida e não sei mais o quê, nem consegui comer em condições. Parecia que tudo aquilo me tivesse tirado todas as forças humanas para a andar e todas as condições humanas para continuar a pensar. Pois não conseguia desligar daquele episódio! Fiquei incontactável, pois resolvi desligar tudo o que me liga-se com pessoas pertencentes ao meu quotidiano... Pensei em tudo o que aconteceu, milhares de vezes, e ainda não consigo perceber o teu objectivo. Não entendo o porque de tantos rodeios, o porque de tantas mentiras e tantas preocupações, nem sei se devo chamar preocupações, a palavra mais correcta seria interesse. Mas como pensas que toda a gente age como tu decidis-te abarcar por aqueles lados, mas enganas-te redondamente. Não sou o tipo de pessoa que embalas como bem te apetece e me convences com as tuas mil e uma manhas. Passarei a olhar para ti como mais um rosto, tal como aquelas pessoas anónimas do shopping, somente isso.
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